6.12.09

Secularismo, islamismo e identidades

Caros,

Neste fim de semana meu "entretenimento" foi um trabalho realizado no âmbito de uma das disciplinas que cursei neste semestre no IFCH/Unicamp. Vale lembrar, o último semestre antes de eu ser diplomado como licenciado em Ciências Sociais (carinha de felicidade).

O negócio era mais ou menos o seguinte: criar uma página no wiki da disciplina sobre algum tema atual, que pudesse se inserir no método dos responsáveis da disciplina, que se denomina Sociologia de Ocasião. Comprei (e ainda compro) uma briga com o tal do termo, mas me dispus a tarefa com um tema recente que me chamou a atenção: as discussões acerca da proibição, mediante lei, do uso da burca nos espaços públicos franceses. Caso este que abarca diversas questões: nacionalismo, secularização, xenofobia, islamismo, etc, etc, etc...

Gostaria, assim, de deixar o link para vocês conferirem:

cteme.sarava.org/Main/Islam
cteme.sarava.org/Main/Pamuk

Devo lembrar que todos os textos estão abertos a edição pelos alunos da disciplina, o que significa que outras pessoas podem alterar ou acrescentar informações ao trabalho que consta nos links.

Boa leitura!

27.11.09

Mais amor, por favor...

Espasmos necessários da minha estranha mania de ter fé na vida.

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1 Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine.
2
Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei.
3 E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.
4 O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece,
5 não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal;
6 não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade;
7 tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
8 O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará;
9 porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos.
10 Quando, porém, vier o que é perfeito, então, o que é em parte será aniquilado.
11 Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino.
12 Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido.
13 Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor.

Palavras de Paulo, em sua primeira epístola aos Coríntios, cap. 13.

31.10.09

Do jeito que o diabo gosta


Aquele rapaz não sabe muito o que quer da vida. Não tem pai rico. Talvez tivesse uma bolsa que garantise sua permanência na faculdade de forma mais tranquila, apenas dedicando-se ao estudo. Mas, como bem inserido na realidade da maioria de nossos jovens, ou trabalha, ou paga o pato. Foi trabalhar pra garantir o sonho seu e de sua família, de ter um curso superior, e pensar em ser alguém na vida. Veste a camisa, a gola aberta, o óculos que ganhou de presente da tia, aquele sapato que não vê a hora de tirar quando chegar em casa depois da aula. Calor infernal em São Bernardo.

Garoto boa pinta. Mulher nunca foi algo do qual ele sentia falta: sempre teve uma para sí. Mesmo que não fosse o mais admirador dos "compromissos". Primeiro beijo aos catorze anos, quando ainda era um adolescentezinho meio tímido, mas em vias de libertar-se da própria inocência. Ou só apenas aparentava ser inocente. Não demorou muito pra ter sua primeira transa. Não achava aquela loira das mais bonitas, mas como já estava meio bêbado depois de umas rodadas de skol, não se importou com o que os outros pensariam. Capaz até de ter ganhado uns elogios como "cara, você realmente tem coragem". Se importaria mesmo se descobrissem que ele não havia topado.

A responsabilidade que demonstrava no trabalho não parecia ser igual a que demonstrava com as garotas. Da mesma forma que tratava uma caneta, desfrutava de uma mulher. Muitas passaram pela sua mão. Seu desejo, quando se enfiava nos pagodes e nas festas com os amigos, no meio das batidas do funk, era de se deliciar com o suor, as roupas curtas, as mãos, os tapas, as drogas, os choques e os gemidos do fim de noite na cama. Era mediante a reificação da garota que ele alcançava seu extase. De fato, ele nunca gostou de compromissos. Também preferia as descompromissadas, que não exitariam em realizar o seu desejo por qualquer temor que lhe viesse à cabeça.

É costume que se atribua questões de libertinagem sexual ao campo diabólico. Se é assim, este cara havia flertado há muito tempo o seu próprio pacto infernal. Somava-se aos entusiastas mais baconianos. Uma mudança por essência.

Por aparência, não. Porque, afinal, era homem trabalhador, que tinha um sonho, que dava orgulho à sua família, que procurava sustentar suas próprias mensalidades da faculdade.

E se pagava, tinha que estudar. Todo dia estava lá, risonho, conversador, e confessando as suas diabruras aos amigos mais chegados. Talvez até ganhasse alguns pontos com outras garotas se falasse de suas histórias, mas não valia a pena. Todo mundo faz, mas ninguem quer revelar.

Quem sabe por conta deste segredo, desta máscara que sustentava com pleno ar de naturalidade, é que o mesmo se sentiu na liberdade de se juntar àquele aglomerado de moleques universitários que, alçando a eles mesmos os ares da autoridade moral, irromperam e pararam às bordas das passarelas e das escadarias para assoviar, chamar, gritar, xingar, aquela moça loira que estava alí, em aula, com um vestido rosa, de mini-saia. Olhos grandes, sorriso sarcástico, e um berro:

PUTA! PUTA! PUTA! PUTA! PUTA!

Havia selado, alí, seu pacto definitivo com o inferno.

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Ps: Justificando o machismo, o preconceito e a hipocrisia, a Uniban publicou, na data de hoje, 08 de novembro de 2009, nota em que informa o desligamento de Geisy Villa Nova Arruda do quadro discente da universidade, fazendo menção insignificante aos alunos que participaram desta cretina palhaçada e ainda criticando a forma como a mídia abordou o episódio.

A nota segue no link: http://blogs.r7.com/querido-leitor/files/2009/11/UNIBANanuncio2.JPG

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Ps2: A Uniban revogou a decisão de expulsar a aluna, conforme nota publica na ultima segunda-feira, 09 de novembro. No link encontra-se a notícia:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u649827.shtml

Ps3: No protesto que houve ontem, 09 de novembro (já programado antes da divulgaão da nota da Uniban revogando sua decisão do fim de semana) haviam estudantes dentro do campus que vaiaram a manifestação contra a decisão sexista e falso-moralista da universidade. Isto é atitude ou complacência?
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u649934.shtml